Após o impacto com a força do bolsonarismo no primeiro turno, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se, ontem, com sua coordenação de campanha para revisar as estratégias e definir o que precisa ser feito visando a rodada final das eleições ao Planalto. O encontro ocorreu em um hotel de São Paulo. As informações são de Victor Correia, do Correio Brasileense.
“Nós retardamos um pouco (a vitória), talvez, por culpa nossa mesmo”, avaliou Lula, após a reunião. Ele citou que a polarização com o presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, está presente desde o início do ano, e a chamada terceira via não conseguiu mudar o cenário. “A gente, na verdade, vai aproveitar o segundo turno para fazer o debate que não foi possível fazer no primeiro. A partir de amanhã (hoje), nós já estamos em campanha. Nós ainda temos que fechar algum acordo”, ressaltou.
Participaram da reunião os principais líderes da coligação e coordenadores da campanha, como a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann; o candidato a vice Geraldo Alckmin; a ex-presidente Dilma Rousseff; o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP); a deputada federal eleita Marina Silva (Rede-SP); e Márcio França, que perdeu a disputa ao Senado por São Paulo.
A medida imediata para Lula, definida como a mais importante no encontro, é atrair o apoio dos demais presidenciáveis e seus partidos. Gleisi Hoffmann afirmou já ter iniciado as negociações. “Nós tivemos contato com o presidente do PDT, o (Carlos) Lupi. Dissemos a ele que gostaríamos muito de ter o Ciro Gomes na nossa campanha”, informou, em relação ao quarto colocado no pleito, com 3% dos votos. “Também estamos marcando horário com o MDB e com o União Brasil. Vamos procurar também o PSDB.”
Projetos
A expectativa é de que até esta quarta-feira esse novo rol de apoios esteja definido. É esperada uma declaração de apoio de Ciro após a negociação entre Lupi e Gleisi. Os dois conversaram ontem e concordaram em acrescentar três propostas presentes no Plano Nacional de Desenvolvimento do pedetista em troca da aliança: os projetos de renda mínima e de educação integral e o plano para zerar dívidas no SPC.
A orientação do PDT é a favor do apoio, e Lupi acredita que Ciro a seguirá. Na reunião de ontem, Marina Silva se ofereceu para fazer a ponte com o pedetista. “Neste momento, vamos precisar de todo mundo. E ele sabe disso”, declarou a deputada eleita.
A campanha de Lula também espera receber apoio de Simone Tebet — terceira colocada, com 4,1% —, embora o MDB possa deixar seus diretórios livres para votar em quem quiserem.
Presidente do União Brasil, Luciano Bivar disse que a legenda se pronunciará até amanhã. O deputado, reeleito no domingo, é a favor de respaldar o ex-presidente, mas seu partido tem fortes laços com Bolsonaro, como em São Paulo, compondo a chapa de Tarcísio de Freitas, e na Bahia, onde ACM Neto disputa contra Jerônimo, do PT.
Ontem, o ex-presidente do PSDB e senador Tasso Jereissati (CE) declarou apoio ao petista. “Minha posição é Lula. Evidente que o partido tem de discutir alguns pontos com a equipe dele, mas o que está em jogo para nós é a democracia, e a democracia acima disso tudo. E esperando que Lula se comprometa com um governo de pacificação”, ressaltou Tasso ao Estadão.
No discurso de ontem, Lula destacou que, agora, “a escolha não é ideológica”. “Vamos conversar com todas as forças políticas que tenham voto, representatividade, significância, para que a gente consiga somar em um bloco os democratas contra aqueles que não são”, comentou.
O ex-presidente citou que 60% da população rejeitou o atual governo no pleito e que foi a primeira vez que um presidente perdeu no primeiro turno. “E vai perder muito mais feio no segundo. Se eu não estou enganado, não costumo ter menos de 60% no segundo turno”, acrescentou.
Nas próximas semanas, o foco será no Sudeste, especialmente em São Paulo. Maior colégio eleitoral do país, o estado foi o grande calcanhar de Aquiles do petista, já que as pesquisas eleitorais não capturaram a vitória de Bolsonaro na região, com 47,71% dos votos.
“O Lulinha paz e amor está pronto para conversar com todo mundo”, brincou o petista.


















































































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